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Lavras e Louvores

Atualizado em 19/11/14 09:23.

Lavras e Louvores

Folder da Exposição Lavras e Louvores

As reflexões que deram origem à exposição de longa duração do Museu Antropológico, Lavras e Louvores, foram iniciadas ainda em 1997, quando se discutia a revitalização da então exposição de longa duração Museu: Expressão de Vida. Na ocasião, decidiu-se pela elaboração de um novo projeto museológico/museográfico, o qual foi aprovado em 2003 na 9ª edição do Concurso Nacional do Programa de Apoio a Museus da Fundação Vitae, que subsidiou financeiramente grande parte da execução do Projeto. Também consta como instituição de fomento à exposição o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN).

Inaugurada em dezembro de 2006, Lavras e Louvores foi pensada para estimular a discussão sobre a região Centro-Oeste, da perspectiva da construção simbólica das identidades regionais: o conjunto de imagens, sentimentos, símbolos e objetos significativos da construção dessa identidade. Dessa forma, os objetos são compreendidos como portadores de sentidos, como signos desencadeadores de sentimentos, idéias, conhecimentos, memórias que dizem sobre nossas identidades.

A Exposição inaugura um outro modo de dizer a Região; os instrumentos de trabalho, os objetos rituais religiosos e as imagens telúricas e de pessoas foram escolhidos para dizer que toda região é uma construção cultural ou simbólica à espera de interpretação e não uma realidade externa independente de nós. Construindo a narrativa de Lavras e Louvores, o novo design das salas de exposição, o mobiliário, os suportes, as cores, as texturas e a iluminação se articulam com as imagens, os textos, as instalações, as ilustrações e uma diversidade de peças, selecionadas das coleções que compõem os acervos etnográfico (indígena e popular) e arqueológico sob salvaguarda do Museu Antropológico.

- Por que Lavras e Louvores?

Lavras e Louvores apresenta dois aspectos interligados e alternados da vida coletiva: o trabalho e a festa, a lavra e o louvor. Suas curadoras, as antropólogas Nei Clara de Lima e Selma Sena, ressaltam que escolheram pensar a exposição por meio do trabalho e da festa, da lavra e do louvor por serem duas formas importantes das nossas representações identitárias “Existem outras, existem várias formas com as quais podemos lidar para pensarmos sobre nós mesmos, sobre quem somos, sobre quem queremos ser. A idéia do trabalho e da festa provoca o pensamento sobre os trânsitos, os hibridismos, os excessos, as alternâncias, e todas essas noções estão presentes na discussão contemporânea sobre identidades.”

No hall do Museu, logo na entrada de Lavras e Louvores, o visitante pode ler o painel com um texto descritivo sobre o que propõe a exposição e ao adentrar a sala pode se encaminhar para dois ambientes expositivos diferenciados: o de Lavras, à direita, narra o mundo do trabalho; à esquerda, o ambiente Louvores alude às representações das religiosidades e suas festas, cultos e rituais.

Lavras e Louvores se divide em dois módulos: “Paisagem Telúrica” e “Topografias Sobrenaturais”:

“Paisagem Telúrica” compõe o ambiente Lavras e se subdivide em: A Flor da Terra (mostrando as potencialidades da paisagem regional na oferta da matéria-prima, bem como os processos de extração e transformação de recursos naturais), De Pedras, Plantas e Bichos (evidenciando a transformação da natureza através do trabalho, demonstra que, regionalmente, as atividades de trabalho combinam indiferenciadamente a lavoura, a mineração, a caça, a pesca, a pecuária e a coleta, como é usual no sertão) e Linhagens ( abordando os processos reprodutivos biológico e cultural).

“Topografias Sobrenaturais” compõe o ambiente Louvores e se subdivide em: Objetos de Culto e As Entradas do Sagrado (ambos objetivam abordar a multiplicidade e o sincretismo religioso).

- O que ver em Lavras e Louvores?

O acervo de Lavras e Louvores é composto de diversos tipos de materiais, sejam eles oriundos de pesquisas, doações ou aquisições. Além das próprias peças, destaca-se a maneira como elas são apresentadas, ou seja, os recursos expográficos utilizados (vitrines, instalações, audiovisuais, a arquitetura do circuito, sua iluminação e climatização).

Na abertura do ambiente lavras um painel de fotografias representa aspectos da natureza. Em seguida, espécimes da flora da região, objetos cerâmicos e trançados indígenas compartilham espaço com o Homem do Rio das Almas, fóssil humano datado em aproximadamente 7.500 anos. A vitrine seguinte apresenta pontas de flecha, moedas e anéis: referências à exploração mineral no período colonial e à produção das populações que ocupavam a região Centro-Oeste no período pré-colonial.

 

A canoa Karajá, suspensa em cabos de aço, possui recurso expográfico que representa um rio por meio de iluminação artificial. Uma projeção de água sobre placas de pintura rupestre é outra instalação que chama atenção para a construção de hidrelétricas na região.

O livro Tropas e Boiadas, de Hugo de Carvalho Ramos, e a projeção de trechos de contos de escritores regionalistas destacam algumas das narrativas ficcionais que têm construído culturalmente o Centro-Oeste. Evidenciam que a Exposição é também uma narrativa e que os aspectos identitários de uma região estão ligados à imaginação, são construídas pelas narrativas, pelo que contamos sobre nós mesmos.

A réplica de uma fogueira pré-histórica e as vitrines com ferramentas dos trabalhos indígenas, pastoril e agrícola, representam diversas apropriações humanas dos instrumentos de trabalho. As tecelagens e os trançados nas paredes revelam suas tramas para falar de cultura. De como está sempre sendo tecida, destecida e retecida. Ela não é algo externo a nós, mas uma trama que nós mesmos tecemos com nossas inúmeras interpretações.

As cerâmicas Karajá são representações das representações que eles fazem do trabalho; são cenas do cotidiano imaginadas e realizadas por esse grupo indígena. Na vitrine, diversas formas de trabalho e da vida cotidiana da aldeia, como cena de parto, cena de enterro e outras, são mostradas por meio de representações artísticas das ceramistas.

Os painéis fotográficos, reproduzidos em grande escala, ilustram a simultaneidade das formas de organização social. Com uma diversidade de representações em miniatura, a fauna regional está presente em vitrines que remontam também à idéia de coleção.

A educação indígena e suas ferramentas, retratadas em painel fotográfico aludem ao trabalho que o próprio Museu vem realizando ao logo do tempo nessa área. E as estantes com objetos do universo rural, mesclados a objetos adquiridos no comércio popular de Goiânia, encerram Lavras.

Eis a transição para Louvores.

 Após o painel de fotografias que apresenta imagens de festas da região, geralmente de natureza religiosa, o visitante atravessa a representação de um arco de Folia do Divino, que dá acesso à vitrine dos objetos musicais utilizados nos diversos rituais das culturas indígena e popular da região. O tambor de congada, a matraca, os maracás, os chocalhos e apitos revelam a região coabitada por diversos povos e expressam suas sonoridades.

Indumentárias completas e objetos de culto representam diferentes divindades, devoções e concepções mágico-religiosas das populações da região: a máscara ritual vem dos índios Iawalapiti do Xingu; a roupa do congo de um dos ternos das Congadas de Catalão; a vestimenta de Oxum, orixá do Candomblé; a bandeira vermelha do Divino das Folias do Divino Espírito Santo; o ahetô – cocar cerimonial Karajá. Nesse ambiente, há ainda uma vitrine com inúmeros totens Karajá, que evocam suas concepções do sobrenatural.

A seguir, o conjunto de foliões do Divino e os dois cavaleiros – mouro e cristão – das cavalhadas, gira no carrossel ao som de cânticos de folias. Atrás da cortina, encontra-se a instalação Passagem, montada para dizer do sincretismo que preside a vida religiosa dos brasileiros. Um altar que reúne imagens cultuadas em vários ritos e crenças religiosas e objetos de cultos é ricamente enfeitado e iluminado de forma a sugerir um ambiente sagrado.

Ao final do circuito, fotografias de pessoas da região, índios, negros, mestiços, brancos, habitantes de Goiânia e de zonas rurais estão afixadas num jogo de espelhos que convida o visitante ao exercício de pensar sobre o processo de construção de identidades.

 

 

 

 

 

 

Ficha Técnica

Reitor
Edward Madureira Brasil

 

Pró-Reitora de Pesquisa e Pós-Graduação
Divina das Dores de Paula Cardoso

 

Diretora do Museu Antropológico da UFG
Nei Clara de Lima

 

Curadoria
Custódia Selma Sena
Nei Clara de Lima

 

Consultorias
Edna Luisa de Melo Taveira
Maria Cristina de Oliveira Bruno

 

Coordenação Geral
Dilamar Cândida Martins
Nei Clara de Lima

 

Projeto Arquitetônico
Walquíria Guimarães Duarte

 

Projeto Museográfico
Mônica Lima Carvalho
Roseli de Fátima Brito N. Barreto
Walquiria Guimarães Duarte

 

Coordenação dos Trabalhos de Musealização
Elza Mota Franco
Luzia Ireny e Silva
Maria Joana Cruvinel Caixeta
Roseli de Fátima Brito N. Barreto

 

Coordenação dos Trabalhos de Comunicação
Maria Bernadete de A. Nazareno
Marisa Damas Vieira
                                                          
Coordenação de Museologia
Roseli de Fátima Brito N. Barreto

 

Conservação e Restauro
Mônica Lima de Carvalho

 

Coordenação de Intercâmbio Cultural
Maria Joana Cruvinel Caixeta
                                           
Coordenação de Antropologia
Rosani Moreira Leitão

 

Assistentes de Montagem
Airvelton Machado
Daniel Donda
Ludmilia Justino de Melo Vaz
Paulo Borges Costa
Rute de Lima Pontim
Sheila Dayan Gomes Beltrão
Tatyana Beltrão de Oliveira
Véter Quirino
Weyla Bento de Oliveira

 

Montagem das Instalações
Aluane de Sá

 

Comunicação Visual    
Aluane de Sá

 

Editoração Eletrônica
Cleomar Gomes Nogueira

 

Secretaria  
Denise Sodré Abrahão
Geraldo Pereira dos Santos
Sandra Câmara Alves de Freitas

 

Bolsistas – Estagiários
Aline Lopes Murillo
Bárbara Lopes Moraes
Gustavo de Oliveira Araújo
Idila de Roure Silva
Laura de Oliveira
Ligya Carolina Santos Roque
Lívia Ribeiro
Luciana Santana Vieira
Marcelo de Paula Pereira Perilo
Marcelo Miguel de Souza
Maria Aparecida R. Bôsso
Maria Lina de O. Fernandes
Núbia Vieira Teixeira
Sonia M. L Moura
Susana Rosa Peres
Thaisy Sosnoski

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