Senhoras do Cerrado levam arte e cidadania à Conferência de Saúde
Projeto "Viver em Cena" do MA/UFG promove saúde emocional e combate o idadismo por meio do teatro
Fotos: Adelino Carvalho
Texto: João Lúcio e Wadson Gama
Na tarde do dia 02 de julho de 2026, o Auditório da Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Goiás (UFG), em Goiânia, foi palco de uma intervenção que uniu arte e políticas públicas. Como parte da programação oficial da 13ª Conferência Municipal de Saúde de Goiânia, a Companhia de Teatro Senhoras do Cerrado apresentou fragmentos do espetáculo "Invisibilidade", sensibilizando e provocando reflexões em delegados, trabalhadores da saúde, gestores e prestadores de serviço do SUS.
No palco, mulheres idosas que integram a companhia deram voz e corpo a uma performance que denuncia o apagamento social (idadismo). As imagens da apresentação revelam momentos de expressividade, alternando entre figurinos em tons de cinza que sugerem a neutralização do ser e trajes vibrantes e coloridos, que celebram a vitalidade e a cultura popular.
O Teatro como Ferramenta de Promoção à Saúde
A apresentação cênica é fruto do projeto de extensão universitária "Viver em Cena", uma iniciativa do Museu Antropológico (MA/UFG). O projeto utiliza as artes cênicas e a psicologia comunitária como instrumentos fundamentais para a promoção da saúde mental, a inclusão social e o resgate da cidadania da pessoa idosa. A coordenação técnica e antropológica está sob a responsabilidade do Dr. Adelino Carvalho, com a orientação e condução do psicólogo Me. Wadson Arantes Gama.
O objetivo de levar o espetáculo "Invisibilidade", recentemente apresentado no Teatro Goiânia, para o ambiente deliberativo da conferência foi realizar uma intervenção poética capaz de impactar quem formula as políticas públicas. Ao colocar o envelhecimento em debate direto com o controle social, o projeto demonstra que o acesso à cultura e a convivência comunitária são estratégias eficazes na prevenção do adoecimento psicológico e na promoção da qualidade de vida.
Protagonismo de mulheres idosas
Para o psicólogo e mestre Wadson Arantes Gama, a presença das "Senhoras do Cerrado" no evento reafirma um conceito ampliado de saúde. Segundo ele: "A inserção da Companhia de Teatro Senhoras do Cerrado na programação cultural da Conferência Municipal de Saúde reafirma que a saúde não é apenas a ausência de doença, mas o pleno bem-estar social e mental. Ao apresentar os fragmentos de 'Invisibilidade' para os delegados e trabalhadores da saúde, o projeto de extensão 'Viver em Cena' cumpre um papel fundamental: transforma a arte em uma ferramenta de controle social e humanização, tirando as pessoas idosas 60+ da margem e colocando-as como protagonistas do debate público".
Para uma das atrizes da Cia de Teatro, Irma Liria Queiroz, de 72 anos: "as Senhoras do Cerrado transformam a arte em alegria, harmonia, simplicidade, amor. A arte cura e transforma senhoras mulheres, transformando e curando através da arte, do momento legítimo, da essência divina que Deus nos deu: a arte", conclui Irma.
A participação da Companhia reforça o papel da universidade pública em conectar a extensão universitária com a arte e as necessidades reais da comunidade, transformando vivências em expressões terapêuticas e atos de resistência política.
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