Memória do Césio-137 é tema de exposição do curso de Museologia da UFG
A mostra analisa como a imprensa de 1987 moldou a memória coletiva sobre o maior acidente radiológico do Brasil
Texto: João Lúcio
Artes: Museologia (FCS/UFG)
Fotos: João Lúcio e Museologia (FCS/UFG)
O Museu Antropológico da Universidade Federal de Goiás (MA/UFG) apresenta, a partir do dia 12 de junho (sexta-feira), a exposição "Manchetes do Invisível: O Césio-137 sob o olhar da imprensa de Goiânia em 1987".
A programação de abertura terá início às 19h, com a palestra "Reminiscências: anotações curatoriais sobre a exposição 'e o desastre radioativo de Goiânia se revela'", ministrada pela Profa. Dra. Telma Camargo da Silva (Doutora em Antropologia pela City University of New York). Às 20h, ocorrerá a inauguração oficial do espaço expográfico.
A exposição é fruto do trabalho coletivo de estudantes do curso de Museologia, vinculado à Faculdade de Ciências Sociais (FCS/UFG), desenvolvido dentro da disciplina Comunicação Patrimonial IV - Projeto e Montagem de Exposição, sob a supervisão do Prof. Dr. Rubens Ramos. A escolha do tema partiu do desejo genuíno de dialogar com a comunidade local sobre um marco histórico e social profundamente enraizado na história de Goiânia.
Diálogo com a Comunidade e Preservação da Memória
Segundo o Prof. Rubens Ramos, a escolha do tema foi estratégica e social: “Escolhemos o Césio-137 por entender que o museu deve ser um espaço de diálogo com a sua própria comunidade, e o acidente é um marco histórico e social profundamente enraizado em Goiânia”. O docente ressalta que a iniciativa partiu de um “desejo genuíno de olhar para a nossa história local sob a ótica da preservação da memória".
O Desafio de Expor o Sensível
A curadoria enfrentou a complexa tarefa de lidar com o trauma histórico sem reproduzi-lo de forma vazia. O professor destaca que o maior desafio foi “encontrar o tom certo para expor um tema tão sensível, transformando dados e notícias da época em uma experiência sensível, ética e acessível, que gerasse reflexão e não apenas a reprodução do trauma”.
Em vez de focar em julgamentos históricos, a exposição analisa como a informação foi construída. A mostra explora a “linha tênue entre o direito de informar, a banalização e o sensacionalismo que, em momentos de crise e sem protocolos definidos, gerou estigmas profundos na sociedade goiana”.
Formação e Responsabilidade Social
Para os futuros museólogos, a montagem foi o ponto de encontro entre a teoria e a prática. "Colocar uma exposição de pé nos mostrou, na pele, a responsabilidade social da nossa profissão", afirma o supervisor. O projeto demonstrou que gerenciar a memória envolve lidar com “dinâmicas humanas, afetos e o impacto que aquilo que expomos causa no presente de uma comunidade”.
Ao final da visita, a expectativa é que o público desenvolva um olhar mais crítico sobre a responsabilidade da informação. “Desejamos que o público compreenda o valor de preservarmos as nossas memórias sem os filtros do sensacionalismo”, conclui Rubens.
A equipe de curadoria e montagem é composta pelos discentes: Ademar Palhano de Oliveira Junior, Ana Luisa Xavier da Silva, Carmem Lucia Ribeiro da Costa Soares, Cauê de Santana Santos, Cristiano Barbosa de Lima, Erick Vasconcelos Mesquita, Evelyn Jenifer Pereira Alves de Melo, Gabrielly Dourado Souza Lima, Marianne Silva Araújo, Morgana da Silva Santos, Raí Santana, Talia Sousa Gomes e Thaynara Celina Alves Miranda.
Fonte: Coordenação de Intercâmbio Cultural (CIC/MA)
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