Museu Antropológico da UFG recebe estudantes indígenas do Instituto Takinahakỹ
Atividade incluiu diálogo intercultural e apresentou o museu como lugar de memórias vivas
Texto e Fotografias: João Lúcio
O Museu Antropológico (MA) da Universidade Federal de Goiás (UFG) recebeu, ao longo de um dia inteiro de atividades, a visita de 44 estudantes indígenas ingressantes do curso de Licenciatura em Educação Intercultural do Instituto de Formação Superior Indígena Takinahakỹ. A atividade ocorreu com diálogo intercultural e os objetos do acervo formam apresentados como suportes de memória cultural, carregados de significados sociais, simbólicos e políticos.
No período matutino, o grupo foi recepcionado pela antropóloga e professora Rosani Moreira Leitão, que conduziu os estudantes à exposição de longa duração “Lavras e Louvores”. A mostra apresenta memórias culturais goianas, com ênfase no patrimônio material e imaterial indígena, possibilitando reflexões sobre história, território, ancestralidade e resistência dos povos originários. Em seguida, o grupo participou de uma vivência em sala de aula, onde foram apresentados a Adelino de Carvalho, coordenador de intercâmbio cultural do MA, seguida por uma apresentação de dança do povo Gavião, realizada antes da saída do grupo para o almoço no Restaurante Universitário.
As atividades continuaram no turno vespertino com a visita às exposições temporárias “Iyá Agba - As Matriarcas”, mostra individual de Raquel Rocha, e “Entre Olhares, Raízes e Memória”, exposição coletiva com obras de Rafaela Rocha, Lucas Almeida e Raquel Rocha. As duas exposições são realizações do Orum Aiyê Quilombo Cultural e abordam temas como memória, identidade e protagonismo de mulheres negras. Esta visita foi mediada pelo produtor cultural do MA, João Lúcio, que apresentou o museu como um lugar de disputas simbólicas, e que exposições como as produzidas pelo Orum Aiyê selecionam, interpretam e apresentam ao público memórias historicamente silenciadas. "A exposição revela disputas de memória: o que é lembrado, o que é esquecido e quem tem o poder de narrar essas histórias", afirmou João.
Ao final do percurso, os estudantes participaram de uma roda de conversa para compartilhar impressões sobre a visita ao museu e às exposições. O encerramento do dia foi marcado por uma dança conduzida pelo estudante Xavier Gavião, do povo Gavião, que convidou todas as pessoas presentes a participarem, reforçando o caráter coletivo, intercultural e celebrativo do encontro.
De acordo com Rosani Moreira Leitão, a turma é composta por estudantes de 16 povos indígenas diferentes, o que a torna uma das mais plurais do Instituto Takinahakỹ. A visita ao Museu Antropológico reafirma o papel da instituição como espaço de formação, diálogo intercultural e valorização das múltiplas memórias e saberes dos povos indígenas.
Acesse em nossa galeria os registros fotográficos relativos à visita.
Fuente: Coordenação de Intercâmbio Cultural (CIC/MA)
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