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Nota de pesar pelo falecimento de Komytira Karaja

Atualizada em 28/07/20 11:27.

Nota de pesar pelo falecimento de Komytira Karaja, artesã da aldeia Santa Isabel do Morro, da Ilha do Bananal

Os últimos dias têm sido difíceis. As muitas notícias de adoecimento, perdas e lutos de estudantes, amigos indígenas, de seus familiares e dos seus anciãos, devido ao COVID 19, vão imprimindo marcas profundas em nossos corações.

Mas, hoje no Museu Antropológico, amanhecemos mais tristes, pois soubemos do falecimento de Kamytira Karajá, uma amiga querida de longa data. Ela, juntamente com seu esposo Tuilá que também já nos deixou em decorrência de um câncer, sempre nos receberam em Santa Isabel do Morro, na Ilha do Bananal, nos apoiaram em processos de pesquisa, nos ensinaram sobre o mundo Karajá e generosamente nos acolheram em sua casa. Uma casa cheia de crianças, de alegria de afeto e de amor.

Komytira foi uma grande artesã, conhecia bem as artes e as técnicas de produção artesanal da tradição Karajá. Como ceramista era especializada na confecção das ritxoko, especialmente das figurinhas humanas que formam a família, conjunto de bonequinhas de cerâmica que são usadas nas brincadeiras das meninas Iny Karajá.

Vó e mãe protetora e afetuosa, estava sempre acompanhada de filhos/as e netos/as e era uma presença frequente no Museu Antropológico, onde ia sempre que passava temporadas em Goiânia para tratamento de alguém da família; a convite ou por vontade própria para passar um tempo, conversar, passear ou descansar um pouco, vender seus artesanatos. Sempre dizia que no Museu se sentia bem e acolhida.

Colaborou com muitos projetos do Museu - Projetos Thesaurus, Projeto Kanyxiwê e o mundo das coisas, projeto rio Araguia: lugar de memórias e identidades, projeto Bonecas Karajá: arte memória e identidade indígena no Araguaia e projeto Bonecas Karajá como patrimônio cultural do Brasil: contribuições para a sua salvaguarda.

Neste último foi uma grande parceira e colaboradora nas oficinas de fortalecimento do artesanato tradicional e de trocas de saberes entre as regiões, entre aldeias e entre mestres e mestras artesãos/ãs. Esteve pela última vez no Museu no evento de apresentação de resultados deste projeto. Participou formalmente das mesas contribuindo com seu relato de experiência como mestra artesã nas oficinas. Na ocasião, Komytira disse que se sentia feliz por realizar um sonho antigo de ser professora. Todos e todas do Museu Antropológico conheciam e se encantavam com a doçura, a serenidade, a alegria e a inteligência de Kamytira.

Em nome das nossas muitas vivências e aprendizados com Kamytira Karajá, a primeira vítima fatal da pandemia em Santa isabel do Morro, lhe rendemos essa homenagem e nos solidarizamos com seus/suas filhos, filhas netos e netas. Nossos sentimentos ao povo de Santa Isabel de Morro, Hawaló Mahãdu e a todo o povo Iny Karajá. Nesse momento de perda e dor, nós do Museu Antropológico também estamos em luto.

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